Há muitos exemplos de países que passaram por verdadeiras revoluções econômicas e sociais por terem feito investimentos maciços em educação. Algumas, tão radicais, que foram batizadas de “milagres”. De países pouquíssimo industrializados e nada influentes, alçaram-se para o topo das listas nomes como Coréia do Sul, Finlândia e Japão. Reza a lenda, inclusive, que, neste último, a única pessoa para quem o próprio imperador se curvava em reverência era o professor. O professor!

Em contrapartida, nossos professores da educação básica e ensino médio não gozam do mesmo status, e vivem em uma cruel realidade de baixíssimos salários aliada a condições de trabalho que, não raro, os adoecem física ou emocionalmente. Tanto é que a profissão figura no topo do ranking das profissões mais insalubres, comparada a de mineiros de carvoarias.

Em meio a isso, vemos o espaço da escola, por meio da figura do professor, muitas vezes, representando a única oportunidade que algumas crianças e jovens vão encontrar de serem aceitos, acolhidos, valorizados, incentivados, elogiados e celebrados. Não porque algumas famílias sejam “más”, pois fazem o melhor que podem, com os recursos que aprenderam. Alguns professores, inclusive, podem ter sido filhos dessas famílias e eles mesmos terem passado por uma educação extremamente repressiva e tantas vezes defasada.

Ora, como pode, então, o professor suprir essas fundamentais demandas afetivas dos alunos se estiver também esgotado, com medo e mágoa, sem esperanças? Que oportunidades tem o professor de professar seus sentimentos e compartilhá-los com os alunos,  encorajando-os a fazer o mesmo? Quem cuida do educador? Enquanto os investimentos para transformar a educação não forem prioritários, continuaremos nas mais baixas colocações das avaliações educacionais mundiais?

É preciso olhar com atenção para esse ambiente escolar, analisar quais são suas necessidades e oferecer as ferramentas necessárias para que esses profissionais tenham mais qualidade de vida, condições básicas de trabalho e aprendam a enfrentar os desafios da rotina escolar. Por isso, é urgente a valorização desse profissional capaz de operar “milagres”, como os vistos em tantos outros lugares.

O país precisa de professores que tenham melhores condições de trabalho, e também que  tenham recursos para lidar com suas emoções e as dos alunos abertamente.  Que saibam acolher e encorajar, acalmar e indignar, encantar e instruir. Isso o aproxima dos alunos e os ensina a fazer o mesmo. Assim, uma vez que o medo e a vergonha, a raiva ou a tristeza podem ser expressas e compreendidas em sala de aula, o clima emocional da escola melhora como um todo, aprimorando a convivência e alavancando a aprendizagem.