Às vésperas dos exames de admissão ao ensino superior – concursos vestibulares de universidades públicas e privadas e Enem – milhões de jovens de todo o Brasil se deparam com questões de ordem emocional que perpassam as horas e horas de estudos preparatórios.

Medo de não se sair bem nas provas, ansiedade diante da quantidade assustadora de conteúdos a serem estudados, eventuais cobranças relacionadas a desempenho advindas de familiares, namorados e amigos, além de questões socioafetivas vinculadas ao próprio desenvolvimento do adolescente parecem surgir simultaneamente nessa fase da vida, gerando um turbilhão de conflitos, dúvidas e incertezas diante do futuro.

Sabemos que jovens que desenvolvem suas competências e habilidades socioemocionais ao longo de toda a educação básica – e, preferencialmente, desde o Ensino Infantil – têm mais chances de chegarem a esse momento mais seguros de suas capacidades e com mais resiliência diante de eventuais frustrações, em virtude do fato de se autoconhecerem melhor e, consequentemente, lidarem melhor com as emoções, agradáveis ou desagradáveis, que surgem nesse processo.

Ao mesmo tempo, nunca é tarde para que as competências emocionais sejam fortalecidas. Nesse cenário, desenvolver um senso de propósito é fundamental para o jovem vestibulando, pois ele passa a vislumbrar um sentido maior para os seus estudos, motivando-se. Melhor ainda, se esse propósito estiver vinculado ao seu projeto de vida.

Nesse sentido, José Moran, pesquisador da área de tecnologia e inovação em Educação, afirma:

O projeto ou plano de vida representa o que o indivíduo quer ser e o que ele vai fazer em certos momentos de sua vida, bem como as possibilidades de alcançá-lo. Projeto de vida, num sentido amplo, é tornar conscientes e avaliar nossas trilhas de aprendizagem, nossos valores, competências e dificuldades e também os caminhos mais promissores para o desenvolvimento em todas as dimensões. É um exercício constante de tornar visível, na nossa linha do tempo, nossas descobertas, valores, escolhas, perdas e também desafios futuros, aumentando nossa percepção, aprendendo com os erros e projetando novos cenários de curto e médio prazo. É um roteiro aberto de autoaprendizagem, multidimensional, em contínua construção e revisão, que pode modificar-se, adaptar-se e transformar-se ao longo da nossa vida. O projeto de vida bem desenhado é do interesse de todos, porque nos ajuda a propor perguntas fundamentais, a buscar as respostas possíveis, a fazer escolhas difíceis e a avaliar continuamente nosso percurso. Isso dará sentido e prazer ao aprender em todos os espaços e tempos e de múltiplas formas, em cada etapa da nossa vida.[1]

Assim, quando o jovem tem a oportunidade de se conhecer profundamente, descobrindo o que ama, o que realmente deseja para si e para o mundo, desenvolvendo um senso de propósito para a sua vida que vai além dos exames vestibulares, torna-se mais fácil se manter consciente das suas maiores habilidades e potencialidades e motivado para enfrentar os muitos desafios que estão por vir.

Referência

[1] MORAN, J. A importância de construir Projetos de Vida na Educação, 2017. p. 01. Disponível em: <http://www2.eca.usp.br/moran/wp-con­tent/uploads/2017/10/vida.pdf>. Acesso em: julho de 2019.