Nossa cultura, de modo geral, oferece uma abundância de convites ao entretenimento: diariamente somos arrebatados por uma enxurrada de filmes, séries, músicas, jogos eletrônicos e as programações sem-fim das emissoras. Esse ambiente cultural desfavorece fortemente os momentos em que ficamos a sós, em silêncio, conosco mesmos. Para muitos, inclusive, esses momentos de introspecção são arduamente evitados.

Essa superficialidade de introspecção tem um alto custo: o desconhecimento de si mesmo. Nossa geração, em parte por estar submersa no acelerado ritmo urbano, e por não se dedicar a olhar para dentro de si, abraçando seus medos, vontades, anseios, fraquezas e virtudes, acabou virando desconhecida de si mesma. É comum que as pessoas usem a tecnologia para conhecer mais e mais pessoas para se relacionar – real ou virtualmente – mas, o mesmo interesse não ocorre para conhecerem a si mesmas.

Não que seja possível se conhecer absoluta e completamente por sermos seres extremamente complexos, multifacetados, e em constante mudança e desenvolvimento. Porém, para alcançar algum grau de maturidade, é muito importante que saibamos claramente quais são nossos valores, do que gostamos ou não, quais as coisas que mais nos alegram, irritam ou entristecem, e o que queremos com os planos que fazemos para nossas vidas. Do contrário, qualquer imprevisto nos desestabiliza, e podemos estranhar nossas próprias reações e comportamentos, por não termos um senso minimamente estruturado de quem somos, de nossas origens e objetivos. Assim, não nos encontramos.

Para uma vida com chances de ser minimamente realizada e feliz, temos de realizar um trabalho de autoconhecimento. Afinal, você passaria o resto da vida com um estranho? Isso porque, enquanto estivermos vivos, desfrutaremos de nossa própria companhia, e se essa convivência interna conosco mesmos for íntima, respeitosa e harmoniosa, temos muito mais condições de fabricar sentidos para a vida.

O autoconhecimento também pode ser visto como pré-requisito para o desenvolvimento da autoestima, um caminho possível por meio da Educação Socioemocional. Olhar com honestidade para nossas qualidades e oportunidades de melhoria, aceitando e acolhendo o que somos, e escutar com abertura nossos pensamentos e sentimentos, nos permite valorizarmo-nos e apreciarmo-nos. Pois, não é possível desenvolver um amor maduro e consciente por um completo desconhecido.

Por isso, é tão importante aprendermos a nos conhecer. E, para isso, temos muitos caminhos. Pode-se, por exemplo, sentar-se em silêncio, respirando lentamente, para tomar consciência de nossos constantes monólogos interiores, como sugerem tradições de meditação milenares. Porém, é importante também lançar-se no mundo, experimentar novas coisas, novos hábitos, novos caminhos, sempre com uma presença viva de nós perante nós mesmos, seja saindo para passear sozinhos, experimentando novos sabores, músicas, livros ou até mesmo roupas. Porque, em grande medida, também é necessário se afirmar para se conhecer, isto é, ousar, tentar coisas novas. A vantagem é que nessa caminhada, por mais que haja alguns descaminhos, nunca nos perdemos. Muito pelo contrário, nos encontramos.

Assim, é fundamental que a educação se ocupe em promover tempos e espaços para que as novas gerações possam praticar a introspecção e possam encarar com abertura e curiosidade novas experiências, edificando, desse modo, conhecimento sobre si mesmas.