Mindfulness é um termo que, em português, corresponde à “atenção plena” e pode ser praticada de muitas formas. Mas, consiste, basicamente, em uma série de exercícios que buscam concentrar a atenção em nossos sentidos (audição, tato, olfato, etc) e sensações corporais (tensão, relaxamento, calor, frio); tudo isso ancorado pela respiração.

Com sessões diárias de 10 minutos por dia por 8 semanas comprovou-se cientificamente que a prática desses exercícios pode fortalecer estruturas cerebrais ligadas à atenção, tomada de decisão, raciocínio lógico, contenção de impulsos, empatia e bem-estar. Tanto é que hoje há uma ampla gama de práticas de mindfulness sendo utilizadas na educação, na saúde e até mesmo nas organizações por todos os seus benefícios.

Este encontro entre as tradições orientais e a ciência ocidental tem muito a ensinar. Em muitas das narrativas tradicionais do oriente, que eram passadas de geração em geração para explicar os mistérios do mundo, contava-se que todo humano estava sujeito a grandes ilusões provocadas por “venenos da mente” como a ganância, a inveja, a voracidade e o ódio. E que, um meio de se enxergar claramente, através dessas terríveis ilusões, era desenvolvendo a “atenção plena”. E um número cada vez maior de pesquisas científicas feitas pelos mais célebres centros de estudo do mundo vem constatando o potencial do mindfulness para desenvolver tolerância, bem-estar, empatia e até mesmo amabilidade.

É preciso constatar, enquanto ainda há tempo, que, em grande medida, as crises externas (sociais, ambientais, íntimas, e familiares) decorrem de crises internas: de nossa falta de habilidade em lidar com nossas emoções, pensamentos, preconceitos e vontades. Por isso, educar para as emoções se faz tão urgente. E, as práticas de mindfulness representam um poderoso recurso para aprendermos a ter mais intimidade, compaixão e sabedoria, tanto entre nossos semelhantes, mas também para conosco mesmos.

Por isso é tão importante mantermos uma atitude de abertura para aprender também a religar e revalorizar os saberes – expressão de Edgar Morin, filósofo e sociólogo francês – conjugá-los e fazê-los dialogar; a exemplo desse bonito encontro entre as tradições orientais e a ciência ocidental moderna.

A crise que enfrentamos hoje, em diversos níveis, pode ser entendida como fruto da ilusão de separação: eu do outro, interno do externo, homem do ambiente, razão de emoção, antigo do novo. E só poderemos produzir respostas úteis para enfrentá-la se passarmos de um paradigma de divisão para um de religação, tanto de saberes, quanto de pessoas, tradições e visões de mundo; isto é, a partir de uma educação integral, que estabeleça um pensamento complexo.

Por isso, entendemos a educação integral, especialmente no âmbito da educação socioemocional, que valoriza e integra todos os aspectos do ser humano – como razão e emoção, por exemplo – e da vida individual e coletiva – com a promoção da função de multiplicadores sociais dos educandos, que atuam para transformarem positivamente seus entornos – como a maneira mais segura de promover as mudanças que tão desesperadamente precisamos.