O preconceito é um tema amplo e delicado, que se expressa de muitas formas. Pode estar vinculado a uma grande variedade de outras questões, como raça, gênero, status socioeconômico, nacionalidade e regionalismos, deficiências e até mesmo sobre a orientação sexual. Apesar dessas múltiplas manifestações, uma coisa é comum: o seu grande potencial de gerar sofrimento psíquico e sua relação íntima com a violência.

Qualquer rótulo que seja imposto a um outro alguém, é, na verdade, uma forma grosseira de simplificar uma realidade complexa. Pessoas são seres profundos, multifacetados, em constante mudança e desenvolvimento, repletos de histórias pessoais e de qualidades que vão muito além de nossa capacidade de reduzi-las a um nome ou categoria fixa. Uma pessoa e sua história de vida não cabem em um nome depreciativo. Assim, por violar essa realidade profunda e complexa, os preconceitos e as “histórias prontas”, violam aquilo que mais temos de humano, nos “coisificando”. E, tudo o que nos “coisifica” e viola nossa condição humana, é uma forma de violência muito perigosa, que justifica e autoriza uma espiral de uma série de outras violências.

Um dos aspectos mais tristes de tudo isso é que, além de todo o sofrimento direto que é imposto a alguém que é alvo de qualquer tipo de preconceito, algumas vezes, a vítima pode não dispor de recursos internos suficientes, como autonomia emocional ou autoestima. Desse modo, o preconceito, a crítica destrutiva e o desdém podem ser internalizados, e a própria vítima pode passar a ter uma postura de não gostar de si mesma ou até mesmo de, intimamente, atacar-se a si mesma. O quão trágico é isso? Além do sofrimento direto imposto pelo mundo exterior, internalizá-lo ao ponto de confirmar/validar/concordar com as depreciações dos outros e tornar-se o seu próprio agressor?

Por isso se faz tão urgente e necessário educar para enxergarmos com mais facilidade a beleza da diversidade desse mundo amplo e diverso. Precisamos aprender a educar de um modo que as diferenças não sejam apenas respeitadas, mas celebradas. Para que não haja mais “histórias prontas” ou palavras que sejam capazes de aprisionar nosso amor próprio e nosso verdadeiro potencial. Assim, a educação socioemocional torna-se um recurso importante e essencial na vida e no desenvolvimento de todos os seres humanos para que seja possível promover a empatia, a tolerância e o respeito entre todos.