A família, hoje, em suas diversas configurações, representa a primeira oportunidade que as crianças têm de interagir com o universo das emoções. Na verdade, muitas investigações¹ demonstram que, ainda durante a gravidez, pode haver consequências da ansiedade e do estresse materno, por exemplo, sobre o bebê e sobre seu comportamento no futuro, como o aumento da probabilidade de hiperatividade, déficit de atenção e dificuldades de aprendizagem. Nesse sentido, podemos considerar que a educação emocional começa antes mesmo da criança nascer.

As experiências familiares, tanto as emocionalmente agradáveis quanto as desagradáveis, constituem modelos para o comportamento de crianças e adolescentes. Com frequência, observamos as crianças, mesmo as muito pequenas, reproduzirem o que seus pais, cuidadores ou irmãos mais velhos dizem ou a maneira com que eles se comportam. Para Daniel Goleman (1999)², a vida em família supõe nossa primeira escola para a aprendizagem emocional – escola essa que funciona não apenas a partir do que os pais fazem ou dizem diretamente aos filhos, mas também dos modelos que eles oferecem em todos os momentos em que lidam com seus próprios sentimentos e nas suas interações socioafetivas. 

Além disso, como aponta a pesquisadora espanhola Rocio Garcia-Carrion³, diversos estudos científicos comprovam a existência de algumas formas de participação das famílias no aprendizado escolar que influem de maneira significativa no sucesso educacional, tanto em nível cognitivo quanto emocional e social. Assim, se essa influência é inquestionável, como pais e demais responsáveis pelas crianças podem se comportar, na prática, em relação à educação de seus filhos, no sentido de contribuir com seu desenvolvimento emocional saudável?

Uma das maneiras é, sem dúvida, a aproximação da família ao cotidiano escolar dos filhos. Acompanhar o dia a dia das crianças, suas conquistas, as emoções que vivenciam  nas interações sociais que constroem na escola, ouvi-las com empatia, faz com que elas se sintam seguras para reconhecer e expressar suas emoções, além de desenvolver e fortalecer a autoestima e desenvolver competências socioemocionais, tais como a capacidade de se comunicar com assertividade e tolerância.

Nessa direção, observa-se que escolas que já contam um programa de Educação Socioemocional consistente em sua proposta pedagógica, tornam-se capazes de dialogar melhor com as famílias, ampliando para toda a comunidade a sensibilização sobre a importância do desenvolvimento de competências socioemocionais para o bem-estar de crianças e adolescentes em todas as esferas de sua vida.

Referências

¹NAVARRO, E.G. La educación emocional en la família. (2013) In: BISQUERRA, R. (Coord.) Propuestas para educadores y famílias. 2.ed. Bilbao: Desclée De Brouwer.

²GOLEMAN, D. Prólogo. In: ELIAS, M.J., TOBIAS, S.E, FRIEDLANDER, B.S. (1999). Educar com Inteligencia Emocional. Barcelona: Plaza Janés.

³https://novaescola.org.br/conteudo/12012/nao-precisamos-escolher-entre-competencias-cognitivas-e-socioemocionais.