Tanto a razão quanto a emoção fazem parte do sistema funcional que é a mente humana. Vão juntas e dependem uma da outra. A inteligência emocional é a capacidade de lidar com as emoções usando a razão. As emoções são o exército indispensável que continuamente mobiliza a razão.¹

Ignacio Morgado Bernal

Desde que o conceito de inteligência emocional – desenvolvido inicialmente pelos psicólogos Salovey & Mayer, em artigo de 1990², e posteriormente difundido em escala global por meio do best-seller de Daniel Goleman, Inteligência Emocional – o interesse pela temática cresce a cada dia.  Atualmente, há consenso no meio acadêmico-científico quanto à importância do desenvolvimento das competências socioemocionais, tanto nas escolas – em todos os níveis de ensino – quanto para o desempenho profissional.

No entanto, ainda que a importância do papel das emoções em nossa vida, em nossas relações, seja inquestionável, há muitas dúvidas sobre como a inteligência emocional pode, de fato, ser desenvolvida. Inclusive, questiona-se se ela realmente pode ser desenvolvida, ou se seria um conjunto de características pessoais inatas, isto é, que nascem com os indivíduos.

Para respondermos a essas questões, voltemos a uma definição de Inteligência Emocional de Daniel Goleman (1998, p.337)³: é a “capacidade de identificar nossos próprios sentimentos e dos outros, de motivar a nós mesmos e de gerenciar bem as emoções dentro de nós e em nossos relacionamentos”. Ora, essas habilidades e competências podem ser aprendidas e desenvolvidas nas famílias e nas escolas, desde o Ensino Infantil até em situações de aprendizagem no meio corporativo.

Há algumas décadas, havia o pressuposto de que o papel da escola, por exemplo, se relacionava apenas ao ensino de competências vinculadas ao desenvolvimento intelectual e acadêmico dos alunos. Dessa maneira, tanto em relação aos conteúdos ministrados, quanto à interação educador/educandos em si, pouca ou nenhuma atenção era dada a habilidades referentes ao reconhecimento das emoções que se revelam no contexto escolar e no convívio em sociedade. Em suma, os educandos não eram vistos de maneira integral, isto é, de modo que considerasse seu desenvolvimento em todas as suas dimensões: intelectual, afetiva, social e física.

Na atualidade, no entanto, o desafio maior das instituições escolares, sejam elas públicas ou privadas, é o de promover, na prática, essa educação integral, que considere aspectos relacionados ao desenvolvimento da Inteligência Emocional nesse processo.

Assim, escolas que têm a oportunidade de incorporarem programas de educação socioemocional consistentes em seu currículo saem na frente quando se tem por objetivo a formação multidimensional dos alunos que, como consequência, tornam-se cidadãos mais bem preparados para enfrentar os desafios da sociedade pós-moderna, lidam melhor com suas próprias emoções e com as dos outros e, paralelamente, desenvolvem mais habilidades de vida e bem-estar em seus relacionamentos.

Referências

¹Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/24/ciencia/1540372846_255478.html

²Disponível em: http://ei.yale.edu/publication/emotional-intelligence-5/

³GOLEMAN, D. Trabalhando com a Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.