O bullying é um tipo de violência que ocorre dentro da escola, que tem caráter sistemático e muito a ver com os “jogos de poder” entre os alunos. Há algum tempo, o tema se tornou muito popular e há um número grande de estudos que correlacionam o bullying a transtornos nas crianças, tais como: ansiedade, depressão, comportamentos auto lesivos e até mesmo suicídio. Nesse fenômeno complexo, há autores, vítimas e espectadores, e todos, sem exceção, podem ser gravemente afetados. Portanto, é uma questão bastante grave que precisa ser olhada de forma ampla com cautela e atenção.

Apesar da frequência com que se encontra sobre o assunto nas mídias mais diversas, o bullying ainda parece envolto de persistentes questionamentos e dúvidas. É tão grave assim? Na minha época, isso nem existia! Isso é coisa normal, de criança! Lidar com os “valentões da vida” não fortalece o caráter? E, afinal, de quem é a responsabilidade?

Nossa cultura, predominantemente pautada pela violência, pode “banalizar” ou “romantizar” algumas relações de dominação que podem impor muito sofrimento. Entendemos que a edificação de um caráter forte envolve, sim, aprender a lidar com os medos e com as adversidades e os desconfortos da vida, mas também tem muito a ver com saber se expressar abertamente, aprender a ter solidariedade, empatia e compaixão.

Por isso, é importantíssimo desenvolver recursos para lidar com essas situações tão delicadas: olhar para a vítima e fortalecê-la em sua autoestima, autonomia e em suas vulnerabilidades; mas, também, olhar para os autores do bullying e questionar suas necessidades, com igual compaixão: por que essa criança ou jovem tem essa necessidade de impor sofrimento aos outros para se sentir maior? O que veem nas vítimas que a incomoda ou a faz sofrer em tamanha medida, a ponto de ter que atacar o outro? Não seria esse um modo de autoafirmação trágico, de lidar com suas próprias vulnerabilidades? Somente a partir de um olhar complexo, conseguiremos formular respostas que vão para além das punições, atendendo às necessidades de todos, e lidando com a questão de modo mais profundo.

Desde 2015 se legisla sobre o bullying. A lei mais recente, de 2018, inclusive, altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), aumentando a responsabilidade das escolas e das famílias sobre a ocorrência do fenômeno, dando-lhes a incumbência de promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática, no âmbito das escolas, e estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nesses ambientes.

Desta forma, torna-se essencial promover uma Cultura de Paz e recursos psicopedagógicos, como um programa sistematizado de Educação Socioemocional,  que possibilitem o desenvolvimento de competências socioemocionais e habilidades de vida, para que as escolas auxiliem as crianças e os jovens a lidar com suas emoções e com as emoções do outro, respeitando as diferenças, para, assim, construir cidadãos mais pacíficos e tolerantes.  Sim, a paz também se aprende!