Previsões e pesquisas por todo o mundo apontam que milhões de empregos desaparecerão nos próximos anos em virtude da automação, da transformação digital e da inserção da Inteligência Artificial. Nesse cenário, cresce a busca pela aprendizagem de competências e habilidades socioemocionais – tanto por executivos com anos de carreira, quanto por escolas que desejam incorporar inovações capazes de potencializar o desenvolvimento dos seus alunos e prepará-los de forma eficaz para os desafios futuros do mercado de trabalho.

Isso ocorre porque essas habilidades, também chamadas de soft skills (como diferenciação das hard skills, que seriam as competências mais técnicas) permeiam e permearão os processos produtivos todas as áreas e carreiras, independentemente do grau de automação que sofrerão. Afinal, lidar bem com as emoções suscitadas por feedbacks e críticas, ser resiliente diante de frustrações que podem surgir no dia a dia e em todo meio corporativo, comunicar-se de maneira empática e assertiva, são essenciais no exercício de qualquer profissão. Nos dias de hoje, recrutadores de grandes corporações não apenas valorizam tais competências, como as têm considerado decisivas em muitos processos seletivos.

Um relatório de 2017 do Capgemini Digital Transformation Institute Survey¹, por exemplo, mostra que a lacuna de talentos em soft skills digitais é mais evidente do que em hard skills: mais empregadores (59%) afirmam que a sua organização carece de funcionários que possuam soft skills digitais do que hard skills digitais (51%), alertando para as áreas mais demandadas:

Vale ressaltar que até as faculdades já se atentam a essa questão e, seja em cursos extracurriculares, disciplinas incorporadas ao currículo oficial, ou, até mesmo, como critério de seleção em seus vestibulares (como é o caso do vestibular para a faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein), têm ressaltado a importância da abordagem das competências socioemocionais na formação dos alunos².

Nessa perspectiva, torna-se evidente que aqueles que, ao longo de sua trajetória acadêmica – desde o Ensino Infantil até o Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos – tiverem a oportunidade de aprender e desenvolver competências socioemocionais, inclusive em contexto escolar, saem na frente quando o quesito é adequação aos cenários futuros que se projetam em relação às profissões. Não proporcionar que crianças e adolescentes se desenvolvam nesse aspecto seria omitir delas a chance de lidarem melhor com os desafios que serão apresentados pela sociedade e o mercado de trabalho do futuro.  

Referências

¹The Digital Talent Gap. Are companies doing enough?  Disponível em: https://www.capgemini.com/wp-content/uploads/2017/10/report_the-digital-talent-gap_final.pdf

²Disponível em:  https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2017/04/1876127-faculdades-privadas-decidem-incluir-habilidades-socioemocionais-nas-aulas.shtm