Se o educador fosse um semeador de conhecimentos, teria que ser um especialista em solos. Afinal, para que a semente brote, precisa ser compatível com o solo. Em uma mesma sala de aula, cada educando carrega uma história única, e apresenta ao educador um novo solo – que pode ser fértil ou seco, coberto por sombra ou exposto ao calor do sol, com diferentes temperaturas. Um desafio e tanto para um único educador. A boa notícia é que há plantas que florescem em solo fértil, mas há cactos no sertão, delicadas flores do campo, estrondosas palmeiras na beira da praia, exóticas flores no cerrado, frutos que crescem nas sombras, a bela flor de lótus no solo arenoso, e até resilientes plantinhas que surgem na beira do asfalto. Há sementes para todos os solos. Há condições de ser no mundo para cada um que respira no planeta. Sejamos sensíveis a ponto de descobrir o potencial que existe em cada solo e em cada semente. 

Na educação deste século, o respeito às individualidades dos alunos, considerando os limites, os ritmos de aprendizagem e as potencialidades de cada um, o contexto social em que se inserem, bem como seus conhecimentos prévios, é fundamental para a promoção de um ensino personalizado e democrático. 

No entanto, a importância dada à personalização do ensino não é recente nos estudos das áreas de Psicologia e Pedagogia. O psicólogo russo Lev Vygotsky, por exemplo, entende o homem como um ser social e que a interferência de outras pessoas (pais, professores e colegas) constitui um aspecto essencial para o desenvolvimento socioemocional dos indivíduos. 

Entretanto, a interferência do professor não pressupõe uma pedagogia autoritária ou uma relação hierárquica entre professor e alunos – ao contrário, a empatia, a colaboração e o “construir juntos” o conhecimento, respeitando a autonomia do processo de aprendizagem dos educandos, seja em sala de aula ou em ambientes virtuais, tornam-se fundamentais para que o ensino seja, de fato, significativo. 

Entende-se, assim, que é preciso ultrapassar, definitivamente, a ideia do professor como mero transmissor de conteúdo, e enxergá-lo como mediador das emoções que emergem em sala de aula, posto que tal visão se encontra na base de um processo ensino-aprendizagem realmente personalizado. De acordo com Morin et al. (2003), há docentes que pensam o ensinar mais como um programa a ser executado, valorizando a prática repetitiva, ou seja, centram-se em formas de aprendizagem que são mais mecânicas do que sensíveis ou emocionais. 

Para Morán (2015, p. 24), o papel do professor na atualidade é mais o de curador e de orientador:

Curador, que escolhe o que é relevante entre tanta informação disponível e ajuda a que os alunos encontrem sentido no mosaico de materiais e atividades disponíveis. Curador, no sentido também de cuidador: ele cuida de cada um, dá apoio, acolhe, estimula, valoriza, orienta e inspira. Orienta a classe, os grupos e a cada aluno. Ele tem que ser competente intelectualmente, afetivamente e gerencialmente (gestor de aprendizagens múltiplas e complexas). 

Nessa direção, o desenvolvimento constante de competências relacionais e emocionais de educadores e educandos, por meio de um programa sistematizado de educação socioemocional, estimula o processo de aprendizagem personalizado dos educandos, promovendo sua autonomia e evitando, por conseguinte, que a reprodução automática de práticas pedagógicas engessadas se perpetue em sala de aula

Referências

MORÁN, J. Mudando a Educação com metodologias ativas. In: Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens. Vol. II. Coleção Mídias Contemporâneas. SOUZA, Carlos Alberto e MORALES, Ofelia Elisa Torres (Orgs.). PG: Foca Foto-PROEX/UEPG, 2015. Disponível em:http://rh.unis.edu.br/wp-content/uploads/sites/67/2016/06/Mudando-a-Educacao-com-Metodologias-Ativas.pdf Acesso em: 29 jan. 2017.

MORIN E., Ciurana E.R., MOTTA R.D. Educar na era planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem no erro e na incerteza humana. São Paulo (SP): Cortez: Brasília, DF: UNESCO, 2003.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. Trad. José Cipolla Neto, Luís Silveira Barreto, Solange Castro Afeche. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Referências


MORÁN, J. Mudando a Educação com metodologias ativas. In: Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens. Vol. II. Coleção Mídias Contemporâneas. SOUZA, Carlos Alberto e MORALES, Ofelia Elisa Torres (Orgs.). PG: Foca Foto-PROEX/UEPG, 2015. Disponível em: http://rh.unis.edu.br/wp-content/uploads/sites/67/2016/06/Mudando-a-Educacao-com-Metodologias-Ativas.pdf Acesso em: 29 jan. 2017.