Em um momento em que a era da tecnologia propõe mudanças no dia a dia das escolas e das interações entre professores e alunos que, por vezes, desafiam a sua capacidade de adaptação, é possível perceber que há uma constante em todas essas transformações: a necessidade de as instituições de ensino enfatizarem em seus currículos o desenvolvimento das competências socioemocionais.

Já é consenso, entre renomados educadores de todas as correntes pedagógicas praticadas na atualidade, que o processo de ensino tradicional, fundamentado em relações professor/alunos assimétricas e hierarquizadas, não respondem mais às necessidades dos alunos “conectados” do século XXI.¹

Ao mesmo tempo, a massiva inserção de tecnologias educacionais em sala de aula. Já é comum que as redes sociais, as plataformas de ensino a distância, as pesquisas na internet e o uso de games, tablets, etc. fazerem parte do cotidiano escolar da maior parte das instituições de ensino brasileiras, sejam públicas ou privadas, possibilitando o que chamamos de ensino híbrido (do inglês Blended Learning), além das chamadas metodologias ativas de aprendizagem: sala de aula invertida (flipped classroom), aprendizagem baseada em problemas (problem based learning).

Ainda no eixo das relações professor/alunos, o foco passa a ser a personalização do ensino, considerando o background de conhecimentos dos alunos e as suas potencialidades ao lidar com diversos objetos de ensino, tornando-o protagonista de seu processo de aprendizagem.

No entanto, nesse contexto, também é preciso observar que a antiga escola padronizada, que ensina e avalia a todos de forma igual e exige resultados previsíveis, ignora que a sociedade do conhecimento é baseada em competências cognitivas, pessoais e sociais, que exigem proatividade, colaboração, personalização e visão empreendedora (MORÁN, 2015)² . A nova educação – por muitos chamada de Educação 3.0 – demanda, portanto, que a atenção de educadores, instituições de ensino e toda a comunidade escolar recaia sobre o desenvolvimento das competências socioemocionais.

Saber reconhecer, nomear e ter consciência sobre as emoções, desenvolver habilidades para lidar com elas em diferentes situações – seja em contexto escolar, seja na convivência familiar, social e em meios virtuais -, autorregulando-as, torna-se, então, a chave para que qualquer inovação em educação seja “abraçada” de maneira significativa e realmente eficaz para a aprendizagem dos alunos.

Referências

¹ WRUBEL, G. et al. As possibilidades do Ensino Híbrido na construção de interações mais democráticas e significativas em sala de aula. Revista Letra Magna, n.20, 2017. 
² MORÁN, J. Mudando a Educação com metodologias ativas. In: Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens. Vol. II. Coleção Mídias Contemporâneas. SOUZA, Carlos Alberto e MORALES, Ofelia Elisa Torres (Orgs.). PG: Foca Foto-PROEX/UEPG, 2015. Disponível em: http://rh.unis.edu.br/wp-content/uploads/sites/67/2016/06/Mudando-a-Educacao-com-Metodologias-Ativas.pdf Acesso em: 29 jan. 2017.