A palavra do momento é empatia. Nunca se ouviu e se falou tanto sobre esse tema na mídia, nas escolas, nos ambientes corporativos e na sociedade como um todo. Por um lado, isso reflete o aumento do interesse sobre o tema, o que é ótimo! Por outro, ainda revela um certo nível de obscuridade sobre o tema. Afinal, o que é empatia e como desenvolvê-la diante da grave crise de conexão humana da contemporaneidade?

Empatia é genericamente definida como a “capacidade de se colocar no lugar do outro”, de modo que você consiga captar como o outro está se sentindo. Diferente de simpatia, a empatia nos torna mais humanos e mais capazes de olhar para outro e sentir o que ele está sentindo ou passando. Ser empático é conseguir enxergar de forma profunda as emoções do outro, é acolher e ouvir.

A falta de empatia causa diversos problemas de relacionamento como a intolerância e o bullying, por exemplo. Essa habilidade é essencial para preservar a humanidade. Sem ela, nos tornamos cada vez mais insensíveis e cruéis, e podemos colocar em risco tanto a nossa sobrevivência coletiva quanto a das demais espécies.

Precisamos reconhecer a empatia como uma força capaz de promover mudanças nos diversos meios onde atuamos. Podemos fazer esse exercício diariamente, em nossas famílias e em nosso ambiente de trabalho, melhorando nossas relações interpessoais. A habilidade de aceitar e conviver bem com a diversidade nos torna mais empáticos e tolerantes. Esta é uma habilidade que pode ser aprendida, mas que precisa ser diariamente cultivada.¹

Assim, vemos a educação socioemocional com recurso para auxiliar no desenvolvimento dessa competência tão fundamental. Da mesma forma como se ensina Matemática, História e Geografia nas escolas, é possível incluir o ensino de habilidades essenciais para as relações humanas e para o bem-estar pessoal e coletivo como a empatia.

Apesar de pequenas variações em sua conceituação por diversos autores, essa é uma habilidade vital para a sobrevivência individual e coletiva. Ela está intimamente ligada ao êxito de nossa espécie, uma vez que somos seres gregários, que vivem em coletivos, de modo que sempre tivemos que pensar em termos de necessidades do outro e do grupo para sobrevivermos.

Como desenvolver a empatia nas crianças?

Em 2017, o novo texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que permeia os currículos das escolas brasileiras, incluiu a empatia em uma das diretrizes vigentes a ser trabalhada em sala de aula, ou seja, a busca parece cada vez mais importante e necessária para a convivência em sociedade. E como podemos desenvolver a empatia nas crianças?

Quando uma criança sentir raiva, tristeza ou medo, em vez de invalidar suas emoções com afirmações como “isso não pode”, “isso é feio”, “você não tem motivos para sentir isso!”, procure explorar esses sentimentos com ela. Busque entender quais suas razões e por que ela está vivenciando aquela emoção e o que poderia fazer para ajudá-la a lidar com aquilo. Assim, ela será exposta a modelos que a farão entender que as pessoas se importam umas com as outras e tenderá a fazer o mesmo. Se pudermos estimular essa potencialidade natural, a de sentir o que o outro sente, desde cedo, nossos descendentes serão mais sábios e bondosos do que nós, construindo um mundo melhor do que o conhecemos hoje, com mais empatia, tolerância e respeito ao outro.

Referência

¹https://exame.abril.com.br/carreira/o-poder-transformador-da-empatia-nas-relacoes-humanas/